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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Santo Natal e Feliz Ano Novo 2018!

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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terça-feira, 28 de novembro de 2017

O urbanismo medieval e o urbanismo moderno

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Quando nas iluminuras medievais consideramos uma cidade vista de longe, ela se apresenta de modo inteiramente diferente da cidade moderna.

A cidade moderna é de contornos imprecisos, irregulares.

É como um tumor que se vai estendendo de lá para cá e para acolá, de maneira tal que numa certa direção ela cresceu muito, e noutra existem ainda parques que vão quase até o seu centro.

A cidade medieval nos dá impressão de uma moeda bem cunhada.

Ela está repleta de casas, num recinto delimitado por um muro e realçado por torres.

Braunfels
Bernkastel
O limite é definido e claro: para além do muro, campo; para dentro do muro, cidade.

O muro é o resplendor da cidade, que tem em torno de si uma coroa feita de muralhas.

Essas lhe asseguram a possibilidade de se defender por si própria e de manter sua autonomia.

Vista assim em seu conjunto, a cidade dá a impressão de uma caixa de tesouros.

Porque o que emerge de dentro dela são coisas preciosas: as torres das igrejas, as pontas das catedrais com as rosáceas e os vitrais, as torres de um ou outro palácio, etc.

Dir-se-ia que entre suas torres havia uma espécie de competição para atingir o céu.

Bernkastel
As ruas não correspondiam muito às ideias do urbanismo moderno.

Eram sinuosas, caprichosas, inesperadas, com peculiaridades singulares.

As casas não tinham numeração.

Nada de anúncios imorais, ou de algo que pudesse ir contra os bons costumes.

Essas ruelas estão para os quarteirões de nossos dias, quadrados e cortados em ângulo reto, mais ou menos como a caligrafia está para a datilografia.

A letra datilográfica é irrepreensível; a letra manuscrita muitas vezes é irregular, e até feia, mas tem a expressão de uma alma.

Esses quadriláteros urbanos, o que exprimem?

As almas dos homens sem alma...



Plinio Corrêa de Oliveira, texto sem revisão do autor.


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terça-feira, 31 de outubro de 2017

Desigualdade proporcionada e harmônica das classes na direção da sociedade

Cardeal da Igreja Católica
Cardeal da Igreja Católica
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Igreja Católica, na Civilização Medieval, manteve o regime das classes sociais diferentes, reconhecendo a existência de um clero, uma nobreza e um povo.

Mas ao mesmo tempo que manteve essa diferença, alterou fundamentalmente alguns aspectos dessa diferença.

Antes de tudo, a primeira das classes sociais, que era o clero, era uma classe completamente aberta a todas as pessoas que tivessem vocação para nela ingressar.

A Igreja nunca exigiu que a pessoa pertencesse a determinada classe social para chegar a entrar no clero.

Pelo contrário, foi muito frequente o exemplo de pessoas pertencentes às camadas mais modestas da sociedade e que ascendiam a mais alta categoria da hierarquia eclesiástica.

De outro lado, tínhamos a nobreza. A nobreza era uma classe hereditária, mas havia aí também uma grande diferença.

Em primeiro lugar, um nobre podia ser destituído de sua nobreza, se ele praticasse determinados atos infamantes.

De outro lado, um plebeu poderia ser promovido a nobre se ele praticasse atos de relevância.

De maneira que a condição de nobre não era uma condição fechada, na qual ninguém pudesse entrar e ninguém pudesse sair.

Era, pelo contrário, uma condição que passava por uma renovação lenta.

Nobre francesa no século XV
Nobre francesa no século XV
Aos poucos os elementos deficientes eram eliminados e os elementos novos que iam aparecendo, eram aproveitados. Esta classe era uma classe que tinha alguma fixidez, mas era uma classe aberta.

Ao lado disto, tínhamos a burguesia e depois a plebe.

Mas o ponto mais importante é saber o seguinte: clero, burguesia, nas suas imensas variedades, mercadores, industriais, homens de estudo, proprietários, pequenos lavradores, trabalhadores manuais, nobres, clérigos, em que medida todos eles participavam, ou em que medida deviam participar da direção do Estado.

Dentro do comum das organizações políticas modernas, o problema foi resolvido numa base puramente numérica.

Entende-se que o Estado é indiferente em questão de classes sociais e que por causa disto, cada um tem o direito a um voto.

E quando se chega na hora de votar, cada um dando um voto o resultado se aprecia numericamente. Tantos brasileiros tiveram tal orientação, se essa orientação é da maioria, ela prepondera.

Na aparência, dizia o Papa Pio XII num de seus recentes discursos, na aparência, a solução é das melhores.

Porque uma vez que confia a direção da coisa pública a maioria dos cidadãos é naturalmente interessada em que as coisas do Estado vão bem.

Colocar a direção do Estado nas mãos dos principais interessados é, certamente, a melhor das soluções.

Mas na realidade, verificamos que no plano das competências, no plano das especializações, esta solução pode ser muitas vezes defeituosa.

 E por quê? É porque necessariamente, as classes mais numerosas ficam com a voz dirigente.

Pois se tudo se apura em termos de número, é claro que a categoria mais numerosa acaba tendo uma força que pesa com o elemento que resolve.

Comerciantes italianos
Comerciantes italianos
De outro lado, o elemento menos numeroso, o elemento que resolve poderia representar precisamente o fator pensamento, o fator orientação, o fator elite, esse elemento fica excluído porque é menos numeroso e é necessariamente derrotado.

Esse mecanismo, muito simples e claro à primeira vista, acaba produzindo freqüentemente uma seleção, às vezes. Pode ser que produza uma verdadeira seleção, mas frequentemente acaba produzindo uma seleção às avessas.

Então, nasce o problema para o qual o Papa Pio XII pedia a atenção dos homens cultos e dos homens de Estado de nosso tempo, de saber como dentro de um país, se devem distribuir as parcelas de influência na direção do Estado, de maneira que o Estado seja judiciosamente orientado e governado.

A esta questão, a Idade Média pode nos dar algumas sugestões para uma solução.

O que prevalecia na Idade Média era antes de tudo a seguinte idéia de que todos os homens foram criados por Deus, iguais. Iguais por natureza. Todos os homens, enquanto homens, são iguais. Por causa disto, têm todos eles, em face do Estado, os direitos inerentes à natureza humana, inteiramente iguais.

A natureza humana deu ao homem, ou por outra, o homem tem por natureza, direito à vida, direito à propriedade, certo direito à liberdade individual, direito à dignidade pessoal, à saúde, etc..

Como estes direitos decorrem da natureza humana, e todos os homens são igualmente homens, é natural que o Estado deve assegurar esses direitos igualmente a todos os homens.

Mas acontece que os homens, ao lado desses direitos essenciais que são inerentes a todos, têm também determinados direitos que são acidentais. São direitos que provém de acidentes existentes em sua própria natureza.

O homem mais inteligente, o homem mais capaz, o mais trabalhador, o mais virtuoso, pelo fato de ter determinadas qualidades que estão acima do nível comum, acaba adquirindo direitos maiores.


As classes sociais e o governo na Idade Média
As classes sociais e o governo na Idade Média

Então, a verdadeira justiça dentro da sociedade, não consiste em ser absolutamente igual para todos, mas consiste em tratar a todos de tal maneira que lhes assegure os direitos essenciais da pessoa humana.

E que além disso, distribua maiores vantagens e maiores honrarias para aqueles que aguentam mais pesadamente o fardo dos interesses coletivos.

Dentro dessa ordem de ideias, na Idade Média prevalecia o conceito de que duas classes sociais deveriam sobretudo viver para o bem público, e que essas duas classes sociais mereceriam a participação maior na direção dos negócios públicos: o clero e a nobreza.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, conferência de 1954. Sem revisão do autor)
 

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terça-feira, 17 de outubro de 2017

O papel da mulher na Idade Média

Ana de Bretanha
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Há quem pense que na Idade Média o papel da mulher era o de submissão total e completo ostracismo.

Há quem cogite que se pensava que a alma da mulher não era imortal ‒ afirmação gratuitamente preconceituosa e contraditória (se a alma é espiritual e imortal, como a alma feminina não seria? Seria uma alma mortal?).

Felipa de Henault
Como a Igreja seria hostil a esses seres sem alma, mas durante séculos batizou, confessou e ministrou a Eucaristia a essas criaturas?

Não é estranho que os primeiros mártires cristãos tenham sido mulheres (Santas Agnes, Cecília, Ágata etc)?

Como venerar a Virgem Maria como cheia de graça e considerá-la desalmada?

A historiografia contemporânea simplesmente apagou a mulher medieval.

Isabel de Baviera

Por exemplo, no plano social.

Dentro dessa perspectiva desapareceram da história personagens como Hilda de Whitby, que no século VII fundou sete mosteiros e conventos, ou quem sabe a religiosa alemã Hroswitha de Gandersheim, autora de dezenas de peças de teatro.

Em Bizâncio, numerosas eram as mulheres na universidade.

Anna Comnena fundou em 1083 uma nova escola de medicina onde lecionou por vários anos.

Eleonora da Aquitânia, enquanto rainha, desempenhou um importante papel político na Inglaterra e fundou instituições religiosas e educadoras.

Nos tempos feudais a rainha era coroada como o rei, geralmente em Reims ou, por vezes, em outras catedrais.

Cristina de Pisan lé para populares
A coroação da rainha era tão prestigiada quanto a do Rei.

A última rainha a ser coroada foi Maria de Medicis em 1610, na cidade de Paris.

Algumas rainhas medievais desempenharam amplas funções, dominando a sua época; tais foram Eleonora de Aquitânia (+1204) e Branca de Castela (+1252); no caso de ausência, da doença ou da morte do rei, exerciam poder incontestado, tendo a sua chancelaria, as suas armas e o seu campo de atividade pessoal.

Verdade é que a jovem era dada em casamento pelos pais sem que tivesse livre escolha do seu futuro consorte.

Todavia observe-se que também o rapaz era assim tratado; por conseguinte, homens e mulheres eram sujeitos ao mesmo regime.



(Fonte: Régine Pernoud, “Idade Média ‒ o que não nos ensinaram”).




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